A história da banda Osgarmos

Daniel, Douglas, Diego, Carioca, Gabriel, Adailton, Rodrigo, Marcello, Idimarlon, Celso, Augusto. Muitos foram os nomes que passaram por esta banda que marcou a juventude de muita gente!

Tudo começou no final dos anos 90, na casa do Douglas e do Diego Valente, no Jardim Pinheiros, em Santa Felicidade (Curitiba/PR), logo que o Carioca (Fábio G Saraceni) comprou uma bateria usada, toda estourada, e eu e o Diego compramos as guitarras, pois, até então, só tínhamos violão (eu tocava na missa todo Domingo de manhã). Era só farra! No começo, nem microfone tínhamos! O nome “Osgarmos” foi minha invenção, pois era um trocadilho com a palavra “orgasmos” (pois é!). Tínhamos até uma música muito doida chamada Super Marvino, que eu escrevi indo pra aula, de bike, ouvindo meu walkman (de fita K7).

No começo a gente só tocava Raimundos, Mamonas, Legião Urbana, ou seja, músicas mais fáceis, pois, além de estarmos em início de carreira, mal tínhamos um pedalzinho de distorção (na época tínhamos uma caixa da Wattsom, bem ruinzinha). Nossa primeira apresentação foi para os amigos, no níver do Carioca, na casa dele mesmo.

Depois de alguns ensaios, ainda na casa do Douglas (também conhecido como Xuxa) e do Diego (também conhecido como Bordogão), o negócio foi ficando mais sério. Todo mundo começou a fazer aula de música e investir em novos instrumentos e equipamentos. “Foi um tal de vender TV, videocassete e tudo mais que pudesse dar algum dinheiro para comprar equipamentos”, disse o Diego em emails trocados em 2003. O Rodrigo comprou um baixo novinho da Golden, azulão, e começou a fazer aula (tava até fazendo slap). O Carioca acabou saindo, pois só pensava em mulher (ele e a mobilete dele). O Douglas então decidiu levar na bateria. Comprou uma Mapex zerada e mandou bala.

Meu pai (o Seu Ireneu) liberou então um quarto, lá na garagem de casa, pra gente fazer nosso próprio estúdio. Ficamos dias montando ele e no final ficou muito show! A gente passava o dia todo lá (as vezes a noite toda), tocando, conversando, gravando fitas demo e jogando ping-pong (sem incomodar ninguém, pois bolamos um isolamento acústico bem criativo, com papelão e caixas de ovo). Fizemos um palco pra bateria e umas caixas de som. Finalmente ficou pronto, quando o Diego passou um dia inteiro trazendo uns carpet usado do trabalho dele para forrarmos o chão. Tinha até uma guitarra velha, do pai do Douglas, pendurada na parede, pra decorar.

Estúdio da banda: detalhe para a guitarra pendurada na parede e minha Golden Morcega na frente da bateria do Douglas.
Meu sobrinho, Luiz Antonio (“Lukid”), na bateria.
Luiz Antonio na bateria (detalhe para a caixa de retorno, que nós mesmos fabricamos)

A banda tava legal, mas sem um vocalista fixo. Eu até levei o vocal por um tempo, mas não curtia e também não levava muito jeito. Tocamos numa festa ali perto do Zardo (num bar de um amigo do Diego). Rolou Offspring, Raimundos, Charlie Brown, Planet Hemp e Green Day. Foi muito legal. A banda do Celso (que mais tarde entraria para a banda) tocou um Axé também.

Da esq p/ dir: Rodrigo, Eu, Diego e Douglas na bateria
Passado um tempo, entraram para a banda o Fernando, no vocal, e a Gisele (namorada dele), nos teclados, que eram da banda “Matar no Ninho”, lá do Jardim Ipê (Monte Chuchu, é o lugar que eu moro! Essa era uma música de autoria do Fernando, muito bacana por sinal). A banda ficou muito boa com a entrada deles. Tocamos na formatura do segundo grau do Colégio Pinheiros do Paraná, em algum restaurante de Santa Felicidade, e estávamos cheio de inspiração.
Mas, infelizmente, algum tempo depois o Rodrigo (que queria que a gente chamasse de Digão mas a gente gostava mesmo de chamar de Caveira) saiu da banda, bem quando ele tava mandando super bem. A gente tava tocando até Pink Floyd (o solo nunca saía tão legal quanto a gente esperava, kkk). Depois de umas dificuldades de relacionamento (para não falar brigas e discussões), o Fernando e a Gisele também saíram.
Era época de segundo grau (o famoso ginásio) e, então, conheci o Adaílton (Guizor), que tinha ido do Safel para o Colégio Estadual Professor Francisco Zardo (onde eu estudei a vida toda). Guizor tocava guitarra com o Gabriel (Child), baixista, mas não tinham uma banda completa (na verdade tinham, mas nada muito sério, chamada de “Prato Principal”, com um amigo do boqueirão, o Max doidão que curtia fumar uns negócios diferentes). Como ficamos bem amigos (até criamos o Comando Moca-Mala), o Guizor decidiu entrar para a banda tocando teclado, já que eu e o Diego éramos os guitarristas. Assim a banda se completou novamente. A gente tocou no Colégio Estadual do Paraná e em outros lugares que nem me recordo agora.
Guizor foi um apelido (mais um né!) criado por mim que sei lá de onde saiu isso. “Child” saiu da primeira vez que vi o Gabriel, saindo do carro do Alexandre (irmão do Guizor) para ir para o ensaio (Child gazeou aula para ensaiar). Ele era tão novinho que quando eu vi ele, olhei pro Diego e disse: – Nossa, o pia é um child mesmo! O meu apelido, Barnei, eu não sei exatamente quem deu (talvez o Jonas, que queria ser chamado de Clark, mas a galera chamava de Capacete ou Cabeção). “Zir” foi coisa do Guizor, certeza (Yeet!).

Por brigas e ideias contrárias, até o Diego, que era um dos pioneiros da banda acabou saindo (na época ele já estava fazendo aula de violão clássico e já tava em outra vibe). Com isso, o Guizor largou o teclado e começou a tocar guitarra também. Resolvemos chamar o Idimarlon (o Tchorny), que era um camarada nosso e braço direito da banda, pra cantar. Ele levou por um tempo mas como não tinha muito tempo pra ensaiar, pois era o único da banda que (realmente) trabalhava o dia inteiro (até a noite o cara jogava futebol trabalhava, no Italicus Futebol Clube), acabou tendo que abandonar o barco.
Da esq p/ dir: Adailton, Jonas, Idi, Douglas, Marcello, Felipe, Eu e Gabriel

Um dia, no Zardo, as professoras Bernadete (vice-diretora, que colocou bebedouros de alumínio no Colégio – Danilo lembra, certeza), Daisy (biologia), Johnny (história) e Maria Isabel (educação física), insistiram para que eu e o Adailton ajudássemos na comemoração dos 307 anos de Curitiba (no ano 2000), já que a gente vivia inventado moda naquele colégio. Como tinha um camarada nosso que estudava lá também, o Celso (que naquelas épocas já tinha largado o Axé e tava tocando numa banda de Legião Urbana Cover, com os parceiros de sempre, o Sandro e o Josnei Tulio, da antiga “Apsidose”), a gente decidiu montar uma bandinha de alunos (Eu, o Adailton e o Celso) e tocar algumas músicas, uma delas, homenageando a mais tradicional banda de rock curitibana, a “Blindagem”, e é claro, fazer uma zona no colégio.

Ensaiamos “Era um garoto que como eu“, do Engenheiros do Havaí e outras, do Charlie Brown Jr e a clássica Basket Case, do Green Day. Eu na guitarra e nos vocais, o Guizor no baixo e o Celso (Celsinas) na bateria. Foi muito show! A galera adorou.

Da esq p/ dir: Adailton, Celso, Eu e o Douglas, ao fundo (Prof. Vladimir e a Janete, diretora)

Os caras do Blindagem, que estavam todos presentes (Ivo Rodrigues Jr., Paulo Teixeira, Paulo Juk, Ruben “Pato” Romero e Alberto Rodriguez), foram obrigados a dar uma palhinha, com os nossos instrumentos mesmo. Logo que o Ivo assumiu o microfone, ele falou:

Parabéns rapaziada! Vendo vocês tocarem me deu até vontade de chorar lembrando das épocas que a gente mal tinha instrumento musical, mas tocávamos por amor à música! Continuem, pois o negócio é fazer o que amamos!”

Da esq p/ dir: Paulo Juk, Alberto Rodriguez, Paulinho Teixeira, Ivo e o Pato na bateria

Isso foi inesquecível! Acho que foi isso que fez o Douglas (que foi com a gente lá no colégio ajudar a ligar a “parafernalha” de equipamentos), resolver chegar pra gente e falar que ele iria deixar a bateria com o Celso e assumir os vocais. O Celso concordou na hora em entrar! Com isso a banda ficou completinha novamente. Douglas vendeu a batera dele para comprar uns microfones mais profissionais.

Todo mundo de Santa Felicidade já conhecia a banda. No colégio já ficaram agendadas várias festinhas e comemorações. Participamos de um concurso de rock no centro de Curitiba tocando Sweet child o’mine, do Guns n’ Roses, e uma música própria. Mesmo o Douglas estando todo parecidão com o Axel Rose, não levamos nada (até por que tinha umas banda foda lá tocando uns Deep Purple e tudo mais), mas foi uma ótima experiência.

Começamos a ganhar uma graninha (pelo menos para as cervejas) tocando em botecos como o Strike 7 e o Lancelot. A festa de formatura da galera do Zardo foi inesquecível (convite abaixo). A gente trocava de instrumentos em algumas músicas (eu lembro que eu tocava bateria em Come as You Are, do Nirvana, e em Tudo que ela gosta de escutar, do Charlie Brown Jr., além de cantar em outras).

Convite do Lancelot Bar (detalhe para o número de telefone com somente 7 dígitos e para o valor da cerveja: R$ 1,50!)

Depois disso, gravamos umas fitas demo, já em outro estúdio, de volta à casa do Douglas (nessas épocas, já conhecido pelo carinhoso apelido de Manchester – ele odiava, e dava voadera em nós andando de roller), pois meu irmão tinha voltado para Curitiba e teve que ficar com o nosso estúdio para se hospedar. Confesso que foi uma barra desmontar aquele lugar, que era uma das fontes de inspiração da banda.

Um dia, apareceu o Batavos (Carlos Augusto) que tocava muito teclado. Com ele, a gente começou a tirar de tudo mesmo: Djavan, Capital Inicial, Skank, Jota Quest, Tihuana, Natiruts, Red Hot, Bob Marley e etc. O Douglas até foi pra São Paulo levar as fitas demo (na verdade foi encontrar uma mina e aproveitou o embalo), pra ver se rolava alguma coisa, mas infelizmente não rolou nada que valesse a pena.

No final de 2001, se não me engano, gravamos um CD demo, feito em casa mesmo com uns equipamentos do Batavos, e até que ficou bem bacana. A gente tava ensaiando na casa do Celso (que já era conhecido como Silas), pois na casa do Douglas já não rolava mais também (o pai do Douglas tocou a gente de lá). E, para desanimar, o Batavos teve de sair da banda pois tinha arrumado um emprego ótimo e não teria mais tempo para ensaiar. Isso “quebrou nossas pernas” pois o teclado fazia uma falta danada nas músicas.

Osgarmos – Capital Inicial – Tudo que vai (2001)
Osgarmos – Paralamas do Sucesso – Você / Gostava tanto (2001)

Mesmo assim, continuamos em frente. Apareceu então um concurso de bandas (da Fanta, segundo o Guizor). Gravamos 3 músicas próprias, lá no Nico’s Estudio (profissional mesmo). Era uma pior que a outra, hahahaha, mas foi divertido. Que seus sonhos (pronuncía-se: xonhos), não sejam mais sonhos, mas sim realidade! Nunca mais vou equecer do Douglas cantando essa letra com o sotaque do Carioca (confira abaixo – atenção para o Guizor torando o pau no Cry Baby – Wah Wah).

Osgarmos – No futuro presente (demo)

Um dia o Douglas e o Child começaram a discutir, feio (fechar o pau mesmo). Tava todo mundo meio de saco cheio. Adailton em outras vibes (só queria tocar Jimi Hendrix, Kiss e não queria saber de tocar reggae, só de sentar o pé no Boss Metal Zone dele, kkkk), Celso desanimado e eu também já não estava tão empolgado. Lembro que guardei minha guitarra e fui pra casa.

Infelizmente, esse foi o fim dessa banda!

Passou-se uns 3 meses e o Douglas voltou dizendo que tinha arrumado um cara fera pra tocar baixo (Daniel era o nome da figura). Ele não tinha o dedo indicador da mão esquerda, mais tocava muito mesmo, somente com 4 dedos! Com isso, montamos uma outra banda, ainda sem nome. Começamos a tirar um som mais trabalhado e menos pop: Aerosmith, Red Hot, O Rappa, Beatles, Djavan e um reggae bem manero. Tocamos no Strike e, quando estávamos em ponto de bala, o Daniel (baixista) veio dizendo que ia ter que voltar pra São Paulo, onde morava sua mãe. Outra banda que acabava por ali.

Em 2002, bateu a responsabilidade e começei a fazer faculdade de tecnologia (até tentei a FAP, mas como não passei, não insisti mais). Qualquer sinal de banda acabou por aí. Eu lembro que vendi vários pedais, incluindo meu querido Cry Baby, para comprar um computador AMD K6-500Mhz com monitor CRT de 14 polegadas.

Passou um tempinho e o Danilo, um grande amigo meu, disse que iria fechar o Bosque São Cristóvão (onde é realizada a Festa do Vinho e muitas outras) para fazer uma super festa do seu níver (chopp livre por somente 5 reais) e de mais uma galera. Insistiu tanto que tive que ligar para a galera de volta. O Douglas aceitou, porém não tinha tempo pra ensaiar, pois estava trabalhando com o táxi do seu pai. Assim, chamei o Marcello, o Kiwa (que nessas épocas já havia encerrado a carreira de jogador de vôlei, central), pra ajudar nos vocais, pois ele tava curtindo bastante reggae comigo e era o que a gente ia tocar mais. Mal ensaiamos, mas fizemos uma sonzera muito legal. Galera curtiu demais! Não queriam nem que uma outra banda, de pagode, tocasse depois. Tem camarada meu que até hoje não se conforma que acabamos com aquela banda.

Depois dessa festa, decidimos dar uma segunda chance pra banda, agora chamada de “Rueira” (nome também batizado por mim, por influências do reggae). Gravamos um CD demo, com um DJ lá do Strike 7 Bar (Marcello e Douglas nos vocais, Eu na guitar, Celso na batera e Child no baixo). Algumas músicas até que ficaram legais, já outras não combinaram muito com a banda (ficaram um m3#@&% na verdade, kkkk).

Rueira – Natiruts – Liberdade pra dentro da cabeça
Rueira – Blink 182 – All The Small Things

Não durou muito tempo e, não apenas por discussões mas por estarmos em épocas de decisões na vida (namoradas, família, emprego, etc), acabamos com a banda numa boa e cada um foi pro seu lado.

Ficou a gostosa lembrança de uma época que com certeza será inesquecível! Os “mocaiges” tradicionais, incluindo do Fiat 147 do Carioca (isso mesmo, a gente escondeu o carro do cara num terreno baldio), os cachorros-quentes da esquina de casa, as sessions de roller (incluindo uma rampa muito massa que o meu pai havia feito para nós), o finado Toboriza (Toby, o cachorro mais ranzinza desse mundo), o Tigre (o Dogue Alemão do Diego que era do tamanho dum boi e comia até limão – uma vez ele quase comeu o cachorro da Sônia, mas, ele se fingiu de morto e saiu ileso), a mesa de ping-pong, as noites de RPG (Hero Quest), as saídas de carro (com a Mimosa – um Kadet laranja “ex-táxi” – ou com o Escortinho) para dar cavalo de pau aprender a dirigir, as madrugadas jogando CS e muitas outras aventuras que ficaram na lembrança.

Se for contar todos que passaram pela banda, dava pra montar duas:
Daniel (guitar e vocais), Douglas (voz, batera e guitar), Diego (guitar), Carioca (batera), Rodrigo (baixo), Guizor (guitar e teclados), Child (baixo), Idi (voz), Batavos (teclados), Celso (batera), Fernando (voz), Gisele (teclados), Daniel (baixo).

Em 2013, num reveillon que fizemos na chácara do Jaca (Adilson), juntamos toda a galera e fizemos um som!

Da esq p/ dir: Adailton “Guizor” Pupia, Adilson “Jaca” Gaideski, Idimarlon “Tchorny” de Oliveira, Eu e o Gabriel “Childdddddd” Araujo.

___
Daniel Scota, 2003.
*Atualizado em 2014 e em 2019, com a colaboração do Gabriel “Child” Araujo, Adailton “Guizor” Pupia e do Idimarlon “Tchorny” de Oliveira.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.